O Livretu é um...

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Porto Alegre, RS, Brazil
Blog dedicado à livre literatura. Poemas, contos, crônicas, músicas, palavras ao vento... e o que te fizeres viajar pela imaginação. O LIVRETU é livre, e surgiu da idéia de alguns amigos dividirem suas produções, delírios, sonhos, alegrias e letras. Envia tuas composições também! Faça parte dessa grande esfera literária. É livre. E como fala nosso grande Drummond: Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) da vida, Mas a poesia (inexplicável) da vida. Envia para livre_tu@hotmail.com tuas idéias. O blog já fez 2 anos e comemora com uma mini-edição impressa e uma confraternização de artes, o ORGIARTE, ambos indo para a sétima edição.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Que linda
Sensación
Volverte
A ver

Caminar
Tranquilamente
A la sombra
De tus plátanos

Dejar
Que me llene
El alma
Tus vientos

Tu aire
De sal
Tu rio
Olas de mar


Matices
De verdes
Y grices
Tan azules
Que me
Tocan
Como esta
Guitarra

Colgué
Retratos
En las paredes
De mi cabeza

Para que
Mi pensamiento
Por tus calles
Vaya de paseo

Siento que
Un lagrimón
Moja mi
Pecho

Y para aliviar
Mi dolor
Apoyo mi cabeza
Em el ombro
De tu música
Y descanso
Un poco más
En paz


Carol Lopez

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A Vida Vivida de Restos


É chato ter de conviver com os problemas
E as neuroses alheias, sentir o ar pesado
De desconfianças e ganâncias, saindo
Feito vapor dos poros, intoxicando
O ar que respiro e meus ouvidos

Se aglomeram em lugares como se felizes
Se sobressaem, alargam sorrisos
Gargalham pudores e inventam danças

Mudança de vida por um momento
Embora o tormento da realidade esteja ao lado
Calado, somente assistindo ao teatro
E os atores se divertem, pois é somente uma apresentação

Os próximos dias que virão serão de tormenta
Pois tornada ventania por si mesmo,
A vida agora não abre mais sol
E contentar-se com a luz da cabeceira
É só o que resta aos que dos restos
Sempre se fartaram.

Francisco Molina

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Diretrizes inalcançáveis

Como começar um pedido de perdão?

Quando nele esta inserido um sentimento

Como entender alguns pensamentos?

Quando somos incompreensíveis

Falo disso por acaso

Como por acaso ocorre um encontro

Como por acaso existe um pedido

Como por acaso digo, não!

Sigo sentindo um amor compreendido

Como sinto também distorções sem sentido

Num caminhar de desencontros egoístas

No paralelo do acaso perdido

Perdão, é um grito!

Grito desesperado por sentido

Do beijo inexplicável palpável

Sugando prazeres na imensidão

dos nossos corpos repletos de sinais sentidos.

Volta sentido!!

Sentido seu guarda

Háá como somos inalcançáveis...

Como algumas estrelas perdidas

Como a mentira repleta de indagações

Mas fica assim um pedido...

Um pedido de desculpas

Por um perdão sem sentido.


Lucasa

quinta-feira, 9 de abril de 2009

RINOCERONTES

Só os valores das palavras
já são belos.
já pensastes na palavra cabisbaixo?
já pensastes em coisas que não gostaria de estar pensando?
serei sincero contigo:
-Real invido!!
real-idades....
te falta coragem?
sejas verdadeiro!
ou é quero ou não quero....não existe eu aceito!
pois quem aceita cala e quem cala foge!
te decides, o jogo foi feito e as cartas estão dadas!


Bba/Murilo

quarta-feira, 8 de abril de 2009

el enorme comentarista

Um comentador chegou pra mim e disse que queria comentar algumas coisas, eis suas palavras:
"é o seguinte velho, vou lhe fazer alguns comentários, mas desde já aviso que comentar é uma arte que trazemos conosco desde o princício dos tempos e não importa onde fores, com quem andares, quais filmes, músicas, amores vivenciares, ainda sim, se algum dia fostes um comentador então seguirás sendo para sempre... e mais, poderás se transformar em um grande comentarista - ao ponto das pessoas pararem na rua para te escutar comentar sobre diversos assuntos- isso, é claro, se não te perderes pelo caminho devido aos lugares por onde andas, as pessoas com que andas, pelos filmes, músicas, amores vivenciados etc... A força do comentário é tão forte que pode chegar ao extremo do impossível e do inacreditável, podes até não achar verdade no que falarei agora, mas creia ou não, escute e julgue; estava, eu, um dia fazendo um comentário a uma pessoa desconhecida e eis que ela desmaiou devido aos estranhos sentimentos que minhas palavras provocaram em sua pobre alma... e pior é que ao pegá-la em meus braços percebi que ela não estava desacordada e sim morta! Morta pelas palavras. Acredite se quiseres, tamanha é a potência de um comentário. Depois dessas duas palavrinhas,vou iniciar meu comentário, posso?"

Bba

terça-feira, 7 de abril de 2009

Flores Mortas



Eu quero renascer para a poesia

Viver só e distrair minha agonia

Em versos

Em vida

Em nada

Agora, já não quero mais nada

Minhas forças se resumem a nada

Enclausurada

Nessas vestes que não são minhas

E é por isto, só por isto:

Afirmação de mim

Que escrevo essas linhas

(Questão de sobrevivência)

Sei que à noite não terei comigo

Aqueles amigos

Para cultivar indecências

Ó, horror a tudo que não é nada!

E de que servem as flores

Senão para cobrir de vaidade

Os olhos que se enfeitam

Dos vasos

Dos cadáveres

Dos amores?

As flores secam

E sem seus perfumes

Sem suas cores

São nada.

Eu quero nada!

Para que sejam cultivadas

As flores mortas do meu peito

Depois, quero uma boa madrugada

Para encharcá-las de mim

Assim, cumpro com eficiência

Um dos fins da humanidade:

Preencher o nada!

(Em meu pobre peito)

Flores mortas a olhos tortos

Eram nada

Hoje, movem minha poesia.

Lud

segunda-feira, 6 de abril de 2009

leuumlivrointeressante?guardounaestante?melhorpassaradiante!
leuumlivrointeressante?guardounaestante?melhorpassaradiante!

terça-feira, 31 de março de 2009

Será isto uma poesia?


Alguma vez na vida você vai chorar

.
.
.

(e isso vai servir para alguma coisa)




Chorão

segunda-feira, 30 de março de 2009

Novelo

Mesmo hoje, quando já somos vento
Pasmo ao som daquela velha música,
Em frenesi, no nosso único tempo
Toda a cidade nos aponta:
Risos e lágrimas a solta,
Estávamos lá, tu e eu!

Como éramos o marco daquele tempo,
ou o amor de um mundo inteiro,
Deixávamos de ser minúsculos naquele salão
Pois perante a natureza, éramos a natureza,
O curso natural das células, feito pedras
que cantarolavam sem parar,
em transe.

Éramos nada mais que tudo, um quadro
sem moldura, desprendidos do tempo,
Imortais, livres até de nós mesmos, nós
éramos dois juntos, apesar de sozinhos,
Dois pontos, embora fossemos um nó.


MORGANA rech

quinta-feira, 26 de março de 2009

Banquete

Garotas comem garotos num banquete no inferno!
Todas com garfos de Dante,
amarrados no pescoço com nós de marinheiro...
Elas correm como leões atrás de suas presas...
Eles vomitam o machismo incrustrado em suas almas...

Caos e balbúrdia!
leis irremediáveis no jardim da loucura original e humana...
Todos os pratos, todos os copos, estão repletos
de pedaços de corpos de antigos povos!
Todas riem, todas gritam, todos gemem...

A morte do tempo servida;
Crianças assadas com maçãs na boca!
A sobremesa oferecida em crânios de elefantes africanos;
Lagartas banhadas ao mel,
Acompanhadas por baforadas de charutos e cachimbos
Feitos de fêmur...

O ar impregnado por discursos cansativos e fúnebres...
Esgotados, todos jogados aos trapos no chão,
Procurando as peças de suas quebradas cabeças...
Muitos estão cegos, outros castrados,
Mergulhados em poças de sangue venoso!
Comem e gritam como animais em sacrifício!
A dor de sentir a brasa queimando no peito...

O amor pisoteado, agora é uma simples bituca
De cigarro contrabandeado de algum país mais rico
Mais louco, mais podre!
E a serpente que passeia entre corpos e louças
Está apaixonada pela ficção de possuir pernas!

Nas paredes lindos quadros pintados pelo ódio,
Iluminam a carnificina orgásmica...

Himens rompidos na porta do inferno
Por cabos de aço, e bolas de vôlei!
Pois, todos os pênis estão na cerca
Salgados e expostos ao sol...
Enquanto, mil clitóris são lambidos
Por línguas de sapos incandescentes,
Proporcionando um infinito prazer
À todas as mães...

...E ao final do banquete estão todos mortos
de volta a obscuridade da vida!


Daniel Bom Queiroz

terça-feira, 24 de março de 2009

Trechos perdidos, cueros repetidos.

A arte
é o sangue da cidade grande.
Poesia de barro, corre marginal
no esgoto interiorano.
Exército Espartano!
é pixada, é Kaingang e tá no Louvre.
contrakultura vomitada, é não-costume.
che, te gruda nessa empreitada
feito lesma agitada, e se puder
faça ruídos e aumente o volume!
Ponte!
sim,a arte é ponte.
e que baita ponte!
A arte,
essa arte louca,
rasa e experimental...
é preguiçosa...existente...resistente.
a arte alivia tudo
e multiplica as angústias,
sensibiliza a alma!
respire esse não-ar!
segure as pontas e aguente o tranco...
caia nesse barranco sem medo de se salvar!
Murilo

segunda-feira, 23 de março de 2009

Concreto Total


Apoiando o rosto na vidraça na janela,
O nariz assume outra forma
O ar quente embaça a visão restrita,
Que aquele espaço no meio da parede representa.

Enfumaçada a visão, de repente a luz!
Ele enxerga entre algumas moléculas,
O que os olhos outrora recusavam enxergar.
Imagem na mente
Imaginação
Viu na rua um homem passar apavorado...

Meu Deus!
Quando foi que isso aconteceu, meu Deus?

São aquelas notícias que não param de vir...
Sim, são aquelas notícias!
Ah, não!
Notícias
Não é preciso pronunciar mais de duas vezes
Para perceber a falta de sentido dessa sopa de letrinhas.
Notícias querendo visibilidade
Na parede e na janela.
Há janelas na parede
São espaços de visão, no meio do concreto.
E no meio do concreto,
O concreto.
Notícia! (Até que esse seria um belo nome de menina)
Tal qual BINGO! (Já esse para um cão)


Amar,
A materialidade das coisas.
Armar ,
A materialidade das coisas.
É sólido, é engessado,
É concreto, enfim, tem que por abaixo mesmo,
se quiser demolir!
“A presença física apenas, porque a parede, simbolicamente, ocupou aquele espaço, esteve ali no tempo”. – Ele.
“Tem seus vestígios, territórios matematicamente delimitados.” - Seu nariz performático
Mas dizem que tem como ultrapassar a parede.
É dizem que tem
Dizem, sabe como é.
O que dizem, são sons que entram pelos ouvidos, apenas.
Não tem um grão de poeira deles... nenhum resíduo possível de armazenamento!
Yeah!
Abstraia
Pois átomos estão de tal forma juntos numa parede,
Que de tamanha junção surge uma oportunidade.
Superação de barreiras.
A imaginação é possibilidade
O concreto homem
O Concreto apavorado
O pavor do homem concretizado.


Paola Mallmann



domingo, 22 de março de 2009

Embalo da boemia


Levo comigo
O leite bebido
Do suco da Flor
Da noite vivida

Flor da Noite...
Sabor de poesia,
De grandes companhias

Caminhando nas ruas
Pisando na alegria

Ao som da derradeira
Canção embalada

Cantando para quem...
Sambando em agonias

Banhada em orgias
Bebendo poesia

Sorvendo o suco da noite
Pelos poros da boemia

Lud

sábado, 21 de março de 2009

Procura-se

Puta que o pariu,
perdi uma poesia!

Ela estava ali
me olhando,
vindo ao meu encontro,
chegava quase a me dizer:
"se me miras, porque
não me sacas para bailar?"
Confesso que fui um pouco
fazido...ignorei-a
por alguns instantes.

Ela brilhava,
tinha um sorriso lindo...
uma alegria contagiante,
uma alegria de criança.

Eu olhava nos olhos dela
e lia, em algum lugar,
lá no fundo:
"vem... me leva,
me coloca no papel,
depois me passa a limpo...
mostra-me para o mundo,
eu quero viver,
existir para morrer".

Agora...
agora perdi-a de vista,
não sei onde anda e
nem que fim deu.
E todo aquele brilho,
toda aquela vida,
desapareceu...
existiu sem existir.
Nasceu morta no
ventre da criação

E se alguém
por acaso a encontrar,
devolva-me...e se
não for possível,
-caso o apego não deixar-
manda-lhe lembranças
e diga que ela não somente
existiu, mas que sem ela...


Bba/Julia

Areias do Tempo


Areias do tempo

Que cobrem o meu passado

Que mostram meu presente

Que revelam a pontinha do véu do meu futuro

Areias do tempo

Que voam por tempos

Em direções invertidas

Por anos e anos

Brisas por brisas

Manhãs por manhãs

Areias do tempo...



Pablo Fumanchu

quinta-feira, 19 de março de 2009

Simultaneidade

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!

- Você é louco?

- Não, sou poeta.


Mario Quintana

terça-feira, 17 de março de 2009

“El Camundongo”

Come on...
Come on...
Camundongo!

Quando o mundo caiu de minhas mãos
Eu tão distraído, não havia percebido:
El Camundongo
Estendido ao chão.

Mal sabia eu naquela época
Que aquele mesmo camundongo
Pagaria a hipoteca.

Camundongo, redondo
Oprimido pelo pensar concreto
Secreto, se perde no teto
O meu olhar distante

Mas El camundongo
Por si só em si vingante
Prefere
Não interfere
Vinga-se a todo instante
Da inércia do seu ser pensante.

Come on...

Nunca pensei...
Que El Camundongo
Desregrado e errante
Viria me dizer que sempre pensei
Em ser também
Um camundongo.

Um camundongo
Esmagado na estante.

Come on...


Bruno, Mo, Ise, Dani

domingo, 8 de março de 2009

Só nos resta o mar
e nenhuma de suas dúvidas.
Águas e movimentos,
correntes!
O inicio é tão diferente do fim.
O Fim é tão estranho,
quando se pensa no meio.
Acontece que as coisas não são linhas,
não tem uma cronologia.
Os nossos erros se dissipam...
Quando chega o dia,
trata-se bem da vigília noturna.
Meu bem,
não nos compreendemos.
Não significa coisa alguma!!
Talvez eu esteja além das coisas...
Enquanto deslizo meus pés sobre as águas,
quero perceber,
saber acolher como as ondas.
Meu corpo,
tua mente,
minha boca,
tua voz
e 51 paradoxos ao nosso redor
O que se quer
não se sabe...
Quem se é,
também não.
Paola Mallmann

sexta-feira, 6 de março de 2009

Recriar para Viver

Rindo com Verissimo
Solando com Elis
Sambando com Noel
Bebendo com Bukowski
Declamando um Pessoa
Analisando Buarque
Curtindo a Melodia do Luiz
Interpretando Rodrigues
Dramatizando a vida
E fazendo dela um palco
Com diferentes emoções
E grandes parcerias
Reinventando-se aos poucos
Com a mistura dos célebres
Junto dos desconhecidos
Afastando-se dos cárceres
E ressurgindo como Fênix
E como misto de tudo isso
Somos nós e nossos amigos!
K.L.M.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Os quadros da minha casa

Lá em casa tem muitos quadros,
Alguns fui eu que fiz,
Outros minha mãe.

Às vezes o quadro
Nem é meu, mas
Quando percebo uma
Pequena aprovação na face
Do visitante - ao mirá-lo
Vou logo dizendo:
- Esse é meu!
Antes mesmo de perguntarem de quem é.


Sou sempre assim,
Autêntico, de forte caráter
E não escondo nada de ninguém


Ontem mesmo, uma amiga foi
Em minha casa
Sentou no sofá... Admirou
As obras... De repente
Aquela pergunta esperada:
“De quem é aquela pintura?”
Me adiantei, emocionado:
- Esta? Fui eu que fiz!


Ignorei total
O conhecimento artístico da minha amiga.
Era a Monalisa,

De repente, ela me surpreendeu
Dizendo que já havia visto
Aquele quadro outras vezes


Para não perder a pose
Acobertei dizendo:
- Meu com meu amigo Leonardo!

BRUNO ARÁMBURU

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Adeus, até amanhã!


Lud!

Sob a luz da lua
Nos sentimos assim:
saudosos, tristes, porém;
É o teu sorriso
Que deixas aqui
Em nossas lembranças
E é aqui que moras!
Na geografia, em Porto.
No tempo? Agora.
Não tenho tempo tenho amor
Amor pelo que não é perfeito
Mas amor pelo que é preciso
Manter-te acesa em meu peito
Sempre, para sentir-me viva
A liberdade das crianças,
O amor das crianças,
O amor dos abraços,
A liberdade é uma criança?
Dá-me um abraço
Dai-nos abraços
Dai-nos a felicidade de te ver feliz.
Terás para sempre teu espaço aqui, e tu sabe!
Sabe que leva algo de nós
E deixa algo de ti
Morena Lud Flor Bela!

Daison, Murilo, Bruno, Morgana, Cles, Diego, Bruna e karin. 19/02/2009


***



Soneto do amigo


Enfim, depois de tanto erro passado

Tantas retaliações, tanto perigo

Eis que ressurge noutro o velho amigo

Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado

Com olhos que contêm o olhar antigo

Sempre comigo um pouco atribulado

E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano

Sabendo se mover e comover

E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica

Que só se vai ao ver outro nascer

E o espelho de minha alma multiplica...



Vinicius de Moraes

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Chove....




Pingo que cai
Escorre pelo parapeito da janela,
Pelos dedos gelados,
Envelhecidos pela labuta,
Vermelhos de apertar
o coração cansado
de amar sozinho.
Assim como a chuva vem,
Leva um pouco de nós,
O
amor também carrega
Um pouco de nós.
Às vezes como enxurrada,
Às vezes como garoa,
Às vezes desmonta,
Às vezes sequer molha, apenas chuvisca
Toca levemente nosso batedor.
Ou vai do sublime à loucura
como poucas precipitações pluviais,
Daquelas enchentes sem aviso prévio.
Adoração, amor, loucura, paixão:
Podem vir acompanhadas da chuva ou da tormenta,
Talvez valha a pena correr o risco!





K.L.M.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A vida lá no céu


Ouvi dizer que lá no céu

a vida é melhor do que na terra

que os campos são mais verdes
que a água é mais límpida e
a paz reina em tudo e em
todos seres que lá vivem

no céu, a música soa mais leve
como se perdesse a gravidade dos fatos
como se ganhasse a gravidade da lua

lá, as pessoas se embriagam de alegria e felicidade
(estado de espírito que nunca deixam de habitá-las)

Dizem que no céu, os valores materiais se perdem,
deixamos de lado o corpo
-mas sem perder a identidade-
e passamos a ser unicamente espíritos...

...espíritos flutuantes, invisíveis,
intocáveis e incomensuráveis!

Lá no céu, nos alimentamos de uma energia
que jamais se viu na terra (e que há em abundância)
energia essa que vem da ausência de valores,
que vem... do encontro dos espíritos e os torna
um único ser perfeito e eterno

no céu a vida parece ser muito melhor,
apesar de que quem vai pro céu não tem mais vida!
"peraí"!: que tipo de vida é essa então, que surge
da ausência de vida??? e ainda...

...não come, não bebe, não joga,
não mente, não briga, não liga, não diga,
não suja, não chora, não ama, não chama,
não mata, não voa, não nada, não respira,
não transpira e não morre???

a resposta, meu caro amigo,
a resposta não se transmite
vem à cavalo, no seu devido tempo,
para cada um de nós.


ao mestre Biratuxo
Bruno

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Conheci Luiz de Miranda num tempo em que a solidão

(provisória)

e o medo tomaram conta do Brasil.

A besta fera andava à solta

calando bocas, quebrando dentes.

Conheci o poeta Luiz naquele tempo

amargo, doente e reticente.

Tempo de telefones grampeados

soldados, mordaças e barreiras.

Conheci o poeta num tempo de poucos amigos,

desconfianças e paranóias.

Mas, os poetas, loucos e boêmios,

não respeitam regras nem responsabilidades.

E foi justamente nessa época,

que nos tornamos solidários e cúmplices.

Entre Trinta copos de chopp,

trinta homens sentados,

trezentos desejos presos,

trinta mil sonhos frustrados.

No Luna Bar do Leblon,

conheci Luiz de Miranda

o poeta da Uruguaiana.

COM SEUS SIGNOS,

SUA TERNURA,

SUA PALAVRA,

SEU ÓCULOS

E SEU CHAPÉU.



Olinda, Patrimônio da Humanidade, 8 de Janeiro de 1987, Alceu Valença.
Luiz de Miranda participou da Luta Armada contra a Ditadura Militar. Foi perseguido por muito tempo. Teve duas prisões. Recebeu Indenização Máxima do governo do estado do Rio Grande do Sul pelas prisões e torturas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Novo Amor

Óh tu, que vens calmamente
Ser grandioso, de minha eterna adoração
Me cativas, teu encanto é tão profundo
És a fonte de minha bela inspiração
Se me quiseres, jurarei amor eterno
Se me aceitares, sentirás meu sentimento
Porque te amo e meu amor é infinito
Que não passou nem vai passar num só momento
Por tua imagem, tenho um fascínio exuberante
Pelo teu corpo, uma atração incontundente
No teu olhar eu fito um brilho intimidante
Chama que aumenta, pouco a pouco, lentamente
Naquela noite, em que teu beijo me ofertaste
Senti a volúpia que incitava e me movia
A repetir aquele gesto tão suave
De um nobre homem, que em anjo se mentia
E ao libertar-me desse cárcere doloroso
Para com os anjos encontrar-me no infinito
Óh Deus, me afaste desse mundo tenebroso
Mas não me tomes esse amor que é tão bonito
Sara Focchesatto