O Livretu é um...

Minha foto
Porto Alegre, RS, Brazil
Blog dedicado à livre literatura. Poemas, contos, crônicas, músicas, palavras ao vento... e o que te fizeres viajar pela imaginação. O LIVRETU é livre, e surgiu da idéia de alguns amigos dividirem suas produções, delírios, sonhos, alegrias e letras. Envia tuas composições também! Faça parte dessa grande esfera literária. É livre. E como fala nosso grande Drummond: Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) da vida, Mas a poesia (inexplicável) da vida. Envia para livre_tu@hotmail.com tuas idéias. O blog já fez 2 anos e comemora com uma mini-edição impressa e uma confraternização de artes, o ORGIARTE, ambos indo para a sétima edição.

terça-feira, 31 de março de 2009

Será isto uma poesia?


Alguma vez na vida você vai chorar

.
.
.

(e isso vai servir para alguma coisa)




Chorão

segunda-feira, 30 de março de 2009

Novelo

Mesmo hoje, quando já somos vento
Pasmo ao som daquela velha música,
Em frenesi, no nosso único tempo
Toda a cidade nos aponta:
Risos e lágrimas a solta,
Estávamos lá, tu e eu!

Como éramos o marco daquele tempo,
ou o amor de um mundo inteiro,
Deixávamos de ser minúsculos naquele salão
Pois perante a natureza, éramos a natureza,
O curso natural das células, feito pedras
que cantarolavam sem parar,
em transe.

Éramos nada mais que tudo, um quadro
sem moldura, desprendidos do tempo,
Imortais, livres até de nós mesmos, nós
éramos dois juntos, apesar de sozinhos,
Dois pontos, embora fossemos um nó.


MORGANA rech

quinta-feira, 26 de março de 2009

Banquete

Garotas comem garotos num banquete no inferno!
Todas com garfos de Dante,
amarrados no pescoço com nós de marinheiro...
Elas correm como leões atrás de suas presas...
Eles vomitam o machismo incrustrado em suas almas...

Caos e balbúrdia!
leis irremediáveis no jardim da loucura original e humana...
Todos os pratos, todos os copos, estão repletos
de pedaços de corpos de antigos povos!
Todas riem, todas gritam, todos gemem...

A morte do tempo servida;
Crianças assadas com maçãs na boca!
A sobremesa oferecida em crânios de elefantes africanos;
Lagartas banhadas ao mel,
Acompanhadas por baforadas de charutos e cachimbos
Feitos de fêmur...

O ar impregnado por discursos cansativos e fúnebres...
Esgotados, todos jogados aos trapos no chão,
Procurando as peças de suas quebradas cabeças...
Muitos estão cegos, outros castrados,
Mergulhados em poças de sangue venoso!
Comem e gritam como animais em sacrifício!
A dor de sentir a brasa queimando no peito...

O amor pisoteado, agora é uma simples bituca
De cigarro contrabandeado de algum país mais rico
Mais louco, mais podre!
E a serpente que passeia entre corpos e louças
Está apaixonada pela ficção de possuir pernas!

Nas paredes lindos quadros pintados pelo ódio,
Iluminam a carnificina orgásmica...

Himens rompidos na porta do inferno
Por cabos de aço, e bolas de vôlei!
Pois, todos os pênis estão na cerca
Salgados e expostos ao sol...
Enquanto, mil clitóris são lambidos
Por línguas de sapos incandescentes,
Proporcionando um infinito prazer
À todas as mães...

...E ao final do banquete estão todos mortos
de volta a obscuridade da vida!


Daniel Bom Queiroz

terça-feira, 24 de março de 2009

Trechos perdidos, cueros repetidos.

A arte
é o sangue da cidade grande.
Poesia de barro, corre marginal
no esgoto interiorano.
Exército Espartano!
é pixada, é Kaingang e tá no Louvre.
contrakultura vomitada, é não-costume.
che, te gruda nessa empreitada
feito lesma agitada, e se puder
faça ruídos e aumente o volume!
Ponte!
sim,a arte é ponte.
e que baita ponte!
A arte,
essa arte louca,
rasa e experimental...
é preguiçosa...existente...resistente.
a arte alivia tudo
e multiplica as angústias,
sensibiliza a alma!
respire esse não-ar!
segure as pontas e aguente o tranco...
caia nesse barranco sem medo de se salvar!
Murilo

segunda-feira, 23 de março de 2009

Concreto Total


Apoiando o rosto na vidraça na janela,
O nariz assume outra forma
O ar quente embaça a visão restrita,
Que aquele espaço no meio da parede representa.

Enfumaçada a visão, de repente a luz!
Ele enxerga entre algumas moléculas,
O que os olhos outrora recusavam enxergar.
Imagem na mente
Imaginação
Viu na rua um homem passar apavorado...

Meu Deus!
Quando foi que isso aconteceu, meu Deus?

São aquelas notícias que não param de vir...
Sim, são aquelas notícias!
Ah, não!
Notícias
Não é preciso pronunciar mais de duas vezes
Para perceber a falta de sentido dessa sopa de letrinhas.
Notícias querendo visibilidade
Na parede e na janela.
Há janelas na parede
São espaços de visão, no meio do concreto.
E no meio do concreto,
O concreto.
Notícia! (Até que esse seria um belo nome de menina)
Tal qual BINGO! (Já esse para um cão)


Amar,
A materialidade das coisas.
Armar ,
A materialidade das coisas.
É sólido, é engessado,
É concreto, enfim, tem que por abaixo mesmo,
se quiser demolir!
“A presença física apenas, porque a parede, simbolicamente, ocupou aquele espaço, esteve ali no tempo”. – Ele.
“Tem seus vestígios, territórios matematicamente delimitados.” - Seu nariz performático
Mas dizem que tem como ultrapassar a parede.
É dizem que tem
Dizem, sabe como é.
O que dizem, são sons que entram pelos ouvidos, apenas.
Não tem um grão de poeira deles... nenhum resíduo possível de armazenamento!
Yeah!
Abstraia
Pois átomos estão de tal forma juntos numa parede,
Que de tamanha junção surge uma oportunidade.
Superação de barreiras.
A imaginação é possibilidade
O concreto homem
O Concreto apavorado
O pavor do homem concretizado.


Paola Mallmann



domingo, 22 de março de 2009

Embalo da boemia


Levo comigo
O leite bebido
Do suco da Flor
Da noite vivida

Flor da Noite...
Sabor de poesia,
De grandes companhias

Caminhando nas ruas
Pisando na alegria

Ao som da derradeira
Canção embalada

Cantando para quem...
Sambando em agonias

Banhada em orgias
Bebendo poesia

Sorvendo o suco da noite
Pelos poros da boemia

Lud

sábado, 21 de março de 2009

Procura-se

Puta que o pariu,
perdi uma poesia!

Ela estava ali
me olhando,
vindo ao meu encontro,
chegava quase a me dizer:
"se me miras, porque
não me sacas para bailar?"
Confesso que fui um pouco
fazido...ignorei-a
por alguns instantes.

Ela brilhava,
tinha um sorriso lindo...
uma alegria contagiante,
uma alegria de criança.

Eu olhava nos olhos dela
e lia, em algum lugar,
lá no fundo:
"vem... me leva,
me coloca no papel,
depois me passa a limpo...
mostra-me para o mundo,
eu quero viver,
existir para morrer".

Agora...
agora perdi-a de vista,
não sei onde anda e
nem que fim deu.
E todo aquele brilho,
toda aquela vida,
desapareceu...
existiu sem existir.
Nasceu morta no
ventre da criação

E se alguém
por acaso a encontrar,
devolva-me...e se
não for possível,
-caso o apego não deixar-
manda-lhe lembranças
e diga que ela não somente
existiu, mas que sem ela...


Bba/Julia

Areias do Tempo


Areias do tempo

Que cobrem o meu passado

Que mostram meu presente

Que revelam a pontinha do véu do meu futuro

Areias do tempo

Que voam por tempos

Em direções invertidas

Por anos e anos

Brisas por brisas

Manhãs por manhãs

Areias do tempo...



Pablo Fumanchu

quinta-feira, 19 de março de 2009

Simultaneidade

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!

- Você é louco?

- Não, sou poeta.


Mario Quintana

terça-feira, 17 de março de 2009

“El Camundongo”

Come on...
Come on...
Camundongo!

Quando o mundo caiu de minhas mãos
Eu tão distraído, não havia percebido:
El Camundongo
Estendido ao chão.

Mal sabia eu naquela época
Que aquele mesmo camundongo
Pagaria a hipoteca.

Camundongo, redondo
Oprimido pelo pensar concreto
Secreto, se perde no teto
O meu olhar distante

Mas El camundongo
Por si só em si vingante
Prefere
Não interfere
Vinga-se a todo instante
Da inércia do seu ser pensante.

Come on...

Nunca pensei...
Que El Camundongo
Desregrado e errante
Viria me dizer que sempre pensei
Em ser também
Um camundongo.

Um camundongo
Esmagado na estante.

Come on...


Bruno, Mo, Ise, Dani

domingo, 8 de março de 2009

Só nos resta o mar
e nenhuma de suas dúvidas.
Águas e movimentos,
correntes!
O inicio é tão diferente do fim.
O Fim é tão estranho,
quando se pensa no meio.
Acontece que as coisas não são linhas,
não tem uma cronologia.
Os nossos erros se dissipam...
Quando chega o dia,
trata-se bem da vigília noturna.
Meu bem,
não nos compreendemos.
Não significa coisa alguma!!
Talvez eu esteja além das coisas...
Enquanto deslizo meus pés sobre as águas,
quero perceber,
saber acolher como as ondas.
Meu corpo,
tua mente,
minha boca,
tua voz
e 51 paradoxos ao nosso redor
O que se quer
não se sabe...
Quem se é,
também não.
Paola Mallmann

sexta-feira, 6 de março de 2009

Recriar para Viver

Rindo com Verissimo
Solando com Elis
Sambando com Noel
Bebendo com Bukowski
Declamando um Pessoa
Analisando Buarque
Curtindo a Melodia do Luiz
Interpretando Rodrigues
Dramatizando a vida
E fazendo dela um palco
Com diferentes emoções
E grandes parcerias
Reinventando-se aos poucos
Com a mistura dos célebres
Junto dos desconhecidos
Afastando-se dos cárceres
E ressurgindo como Fênix
E como misto de tudo isso
Somos nós e nossos amigos!
K.L.M.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Os quadros da minha casa

Lá em casa tem muitos quadros,
Alguns fui eu que fiz,
Outros minha mãe.

Às vezes o quadro
Nem é meu, mas
Quando percebo uma
Pequena aprovação na face
Do visitante - ao mirá-lo
Vou logo dizendo:
- Esse é meu!
Antes mesmo de perguntarem de quem é.


Sou sempre assim,
Autêntico, de forte caráter
E não escondo nada de ninguém


Ontem mesmo, uma amiga foi
Em minha casa
Sentou no sofá... Admirou
As obras... De repente
Aquela pergunta esperada:
“De quem é aquela pintura?”
Me adiantei, emocionado:
- Esta? Fui eu que fiz!


Ignorei total
O conhecimento artístico da minha amiga.
Era a Monalisa,

De repente, ela me surpreendeu
Dizendo que já havia visto
Aquele quadro outras vezes


Para não perder a pose
Acobertei dizendo:
- Meu com meu amigo Leonardo!

BRUNO ARÁMBURU

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Adeus, até amanhã!


Lud!

Sob a luz da lua
Nos sentimos assim:
saudosos, tristes, porém;
É o teu sorriso
Que deixas aqui
Em nossas lembranças
E é aqui que moras!
Na geografia, em Porto.
No tempo? Agora.
Não tenho tempo tenho amor
Amor pelo que não é perfeito
Mas amor pelo que é preciso
Manter-te acesa em meu peito
Sempre, para sentir-me viva
A liberdade das crianças,
O amor das crianças,
O amor dos abraços,
A liberdade é uma criança?
Dá-me um abraço
Dai-nos abraços
Dai-nos a felicidade de te ver feliz.
Terás para sempre teu espaço aqui, e tu sabe!
Sabe que leva algo de nós
E deixa algo de ti
Morena Lud Flor Bela!

Daison, Murilo, Bruno, Morgana, Cles, Diego, Bruna e karin. 19/02/2009


***



Soneto do amigo


Enfim, depois de tanto erro passado

Tantas retaliações, tanto perigo

Eis que ressurge noutro o velho amigo

Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado

Com olhos que contêm o olhar antigo

Sempre comigo um pouco atribulado

E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano

Sabendo se mover e comover

E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica

Que só se vai ao ver outro nascer

E o espelho de minha alma multiplica...



Vinicius de Moraes

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Chove....




Pingo que cai
Escorre pelo parapeito da janela,
Pelos dedos gelados,
Envelhecidos pela labuta,
Vermelhos de apertar
o coração cansado
de amar sozinho.
Assim como a chuva vem,
Leva um pouco de nós,
O
amor também carrega
Um pouco de nós.
Às vezes como enxurrada,
Às vezes como garoa,
Às vezes desmonta,
Às vezes sequer molha, apenas chuvisca
Toca levemente nosso batedor.
Ou vai do sublime à loucura
como poucas precipitações pluviais,
Daquelas enchentes sem aviso prévio.
Adoração, amor, loucura, paixão:
Podem vir acompanhadas da chuva ou da tormenta,
Talvez valha a pena correr o risco!





K.L.M.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A vida lá no céu


Ouvi dizer que lá no céu

a vida é melhor do que na terra

que os campos são mais verdes
que a água é mais límpida e
a paz reina em tudo e em
todos seres que lá vivem

no céu, a música soa mais leve
como se perdesse a gravidade dos fatos
como se ganhasse a gravidade da lua

lá, as pessoas se embriagam de alegria e felicidade
(estado de espírito que nunca deixam de habitá-las)

Dizem que no céu, os valores materiais se perdem,
deixamos de lado o corpo
-mas sem perder a identidade-
e passamos a ser unicamente espíritos...

...espíritos flutuantes, invisíveis,
intocáveis e incomensuráveis!

Lá no céu, nos alimentamos de uma energia
que jamais se viu na terra (e que há em abundância)
energia essa que vem da ausência de valores,
que vem... do encontro dos espíritos e os torna
um único ser perfeito e eterno

no céu a vida parece ser muito melhor,
apesar de que quem vai pro céu não tem mais vida!
"peraí"!: que tipo de vida é essa então, que surge
da ausência de vida??? e ainda...

...não come, não bebe, não joga,
não mente, não briga, não liga, não diga,
não suja, não chora, não ama, não chama,
não mata, não voa, não nada, não respira,
não transpira e não morre???

a resposta, meu caro amigo,
a resposta não se transmite
vem à cavalo, no seu devido tempo,
para cada um de nós.


ao mestre Biratuxo
Bruno

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Conheci Luiz de Miranda num tempo em que a solidão

(provisória)

e o medo tomaram conta do Brasil.

A besta fera andava à solta

calando bocas, quebrando dentes.

Conheci o poeta Luiz naquele tempo

amargo, doente e reticente.

Tempo de telefones grampeados

soldados, mordaças e barreiras.

Conheci o poeta num tempo de poucos amigos,

desconfianças e paranóias.

Mas, os poetas, loucos e boêmios,

não respeitam regras nem responsabilidades.

E foi justamente nessa época,

que nos tornamos solidários e cúmplices.

Entre Trinta copos de chopp,

trinta homens sentados,

trezentos desejos presos,

trinta mil sonhos frustrados.

No Luna Bar do Leblon,

conheci Luiz de Miranda

o poeta da Uruguaiana.

COM SEUS SIGNOS,

SUA TERNURA,

SUA PALAVRA,

SEU ÓCULOS

E SEU CHAPÉU.



Olinda, Patrimônio da Humanidade, 8 de Janeiro de 1987, Alceu Valença.
Luiz de Miranda participou da Luta Armada contra a Ditadura Militar. Foi perseguido por muito tempo. Teve duas prisões. Recebeu Indenização Máxima do governo do estado do Rio Grande do Sul pelas prisões e torturas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Novo Amor

Óh tu, que vens calmamente
Ser grandioso, de minha eterna adoração
Me cativas, teu encanto é tão profundo
És a fonte de minha bela inspiração
Se me quiseres, jurarei amor eterno
Se me aceitares, sentirás meu sentimento
Porque te amo e meu amor é infinito
Que não passou nem vai passar num só momento
Por tua imagem, tenho um fascínio exuberante
Pelo teu corpo, uma atração incontundente
No teu olhar eu fito um brilho intimidante
Chama que aumenta, pouco a pouco, lentamente
Naquela noite, em que teu beijo me ofertaste
Senti a volúpia que incitava e me movia
A repetir aquele gesto tão suave
De um nobre homem, que em anjo se mentia
E ao libertar-me desse cárcere doloroso
Para com os anjos encontrar-me no infinito
Óh Deus, me afaste desse mundo tenebroso
Mas não me tomes esse amor que é tão bonito
Sara Focchesatto

domingo, 25 de janeiro de 2009

A procedência

Uruguaiana, Iate Clube Tamandaré, verão de 95...
Jogaríamos bola, como de costume.
O sol batia forte no Uruguai Grande.
Gramado ralo, uma cadeira de cada lado.
Famoso “mini-arco”. Sorteamos as duplas.
De um lado José Francisco Velo Neto, vulgo Puchero, dono, na época, de uma velocidade impressionante, e Caburíco, o filho prodígio de um certo Caburé.
Do outro eu, Luiz Fernando Gutierrez Roque, apenas um garoto, e Lucas Velo, o mais velho e experiente de todos, irmão do menino José.
Bola no meio.
Iniciava-se ali uma batalha épica. Cinco vira, dez acaba. Era lá e cá.
Não havia espaço para erro. Era jogo de gente grande.
1 x 0. 1 x 1. 2 x 1. 2 x 2. 2 x 3. 3 x 3. 3 x 4.
Os times se revezavam na vantagem dos gols.
O jogo ficava cada vez mais tenso.Chegamos então ao temido placar de 9 a 9. Quem faz ganha.
Os ânimos se acirram. As duplas se estudam cautelosamente. Qualquer erro seria fatal.
Luiz Fernando pega a bola. Toda a pressão cai sobre ele. A marcação era implacável.
Vendo seu companheiro impossibilitado de receber a assistência, LF, então, desprovido de qualquer medo, inicia uma arrancada fantástica pela ponta esquerda, e, com uma manobra futebolística mediúnica, dribla desconcertantemente o filho de Caburé. Lucas acompanha correndo pelo meio.
Agora eram dois contra um. Era o gol da vitória chegando.
Apenas um passe separava a dupla da glória e da Coca gelada.
Mas, em um lapso de entusiasmo e individualismo, no lugar de um passe óbvio e certeiro, LF tenta mais um drible.
Puchero rouba a bola. Contra-ataque. Passe para Caburíco, sozinho.
Agora, a derrota é que estava próxima. LF volta correndo desesperadamente. Lucas abaixa a cabeça, já incrédulo com o que iria acontecer.
Caburíco avança. LF corre. Caburíco chuta. A bola flutua sobre o gramado em direção ao gol.
LF segue correndo. A derrota se aproxima ainda mais, mas LF ainda acredita. A bola quica...
Trave. Lucas levanta a cabeça em um surto de esperança. LF não dá mais conta de suas próprias pernas. LF tropeça. Tropeça? LF cai sobre o gramado e bate na bola que se afastava da cadeira.
A bola volta, e entra. Gol. Contra. 10 x 9.
Do céu ao inferno em apenas alguns segundos. Talvez tenha sido um buraco, ou talvez o cordão do tênis. Não importa. LF jamais esqueceria deste dia.
O porquê???...Lucas, não acreditando no que acabara de ver, grita:
“Mas tu é um PEREBA mesmo!!”....


Luiz Fernando Gutierrez Roque, o Pereba.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Toda a embriaguez do mundo

Tem dias em que eu saio de mim,
Como os nossos, ou esses que estive aqui.
Os mesmos já não são nossos
Os medos, os nossos terríveis medos...
Morreram afogados em teu copo.

Ah, como dei de mim para um gole dele ter
Como me exauri de minhas sedes próprias
Como bebi por ti teus goles secos
Embriagada, rondando-te as costas.

Como enxerguei tantas vezes
A poesia amanhecendo-me o dia.

Como me embriaguei da tua pele bêbada.

...Nesses dias em que me fujo,
Já nem sei se me entorpeces
Ou se toda a embriaguez do mundo
Tem teu nome escrito, no fundo
Do meu copo sujo.


Morgana Rech 23.10.06 01:23AM

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

yo voy espressar lo magnífico

o q ouve meu?
eu vou ser o batman...
e eu vou ser o robin!!!
vamos deixar aqui
e vamos curtir a promessa!
q q é isso, não vale isso,
qual é q é o teu nome?

....eres bobô....
o bobô é loucão...
só eu e tu (ninguém vai saber!)

dá um abraço no amigo...
não é fácil,
pero no ès impossible!!!!

creo q la vida
ès una novidad,
para nos otros,
creo q...

no hay problemas
pero hay
recordaciones...


murilo_bruno_alemão_gabriel(filho do alemão).....

sábado, 17 de janeiro de 2009

Lua de mim

Lua Lua
Crua nua
Lua Lua

Transparente namorada
Incandescente apaixonada

De São Jorge
Lua da luta
De Vitória-Régia
Lua do desejo

Lua das namoradas
Lua dos poetas
Lua das meninas
Lua feminina

Lua da espera
Lua do encontro

Lua das gatas
Dos vira-latas
Dos lobos uivando
Das moças cantando

Íris dos olhos da infância
Lua da dança
Lua lembrança
Lua criança

Lua canto
Lua lira
Lua cheia
Como seio de mãe

Vejo-te da minha janela
Como se nela fosses adentrar
Vejo o verde das árvores
Teu clarão abrilhantar

Nos meus olhos
Nos corpos do desejo
Na alma dos poetas
Lua, te vejo

Lua minguante de mim
Lua toda noite nova
Crescente como a flor
Brotando da semente

Lua cheia
Tempero da noite
Brilho da boemia

Poetas estão abrindo
A janela de suas almas
É noite de Lua cheia
É noite de poesia!

Abri minha janela
A Lua minh’alma chamava
Estendi-me para chegar a ela
E deleitar a madrugada

Saí despida de mim
Pela enluarada rua

Cobri meu corpo de ti
Do frescor do teu brilho
Minha companheira Lua

Nessa noite percebi
Já não eras companhia
Penetraste minha alma

Era eu
Lua de mim.

Ludmila








terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Parceira Velha

Não.
Ela já é não mais a mesma
Não é tão aconchegante,
Não é tão macia como antes,
Às vezes, é até dura,
E me causa certa dor.
Ela foi parceira de várias noites de sono
De insônia,
De leitura,
De encontros,
De cheiros,
De desabafos.
Hoje é só a minha cama velha.
Um triste colchão dormido.

K.L.M.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Dr.C


13 de novembro de 1972. Studio da Radio Blumenau, SC.


No meio de uma entrevista, ao vivo na rádio Blumenau, o Dr.C fala sobre sua pesquisa sobre o amadurecimento precoce, citando suas discussões com um dos seus pacientes.


Dr.C: E o f.d.p. do meu paciente apenas mexia a cabeça para os lados, como se falasse "não", mas nem ele se prestava a fazer.
Interlocutor: Sei!
Dr.C: Apesar da má vontade dele, segui interrogando-o: "e entre todos os presidentes, nenhum merece o teu respeito”?

O interlocutor não fazia expressão nenhuma, apenas observava o Dr., quieto, e escutava a sua história.


Dr.C: E perguntei mais: "e desses narradores de futebol, best-selers, comidas industrializadas e músicas eletrônicas, nada disso te agrada?"
E ele na mesmice de sempre. "Sei, sei", falei prosseguindo, "mas e as mulheres que passam por ti na rua, no trabalho, no ônibus... nenhuma delas chama a tua atenção?" Recebi outro não de meu paciente.
Interlocutor: Teu paciente era um conservador dos chatos! Aliás, qual não o é? - e deu uma risadinha forçada para o Doutor.
Dr.C: Pois é meu amigo, não é nada fácil este tipo de trabalho. Porém, finalizo a minha entrevista dizendo mais algumas palavrinhas que disse ao meu paciente. Ei-las: "me diz uma coisa meu querido, tu por acaso, não está sendo muito exigente? De repente, tu não estás procurando por coisas que não existem?"

O Doutor sorriu para o interlocutor (como se este estivesse concordando com suas palavras; e mais, como se suas palavras tivessem algum sentido). De repente, o interlocutor não suportou mais aquele papo e começou a soltar os ossos no Doutor.

Interlocutor: Doutor, o senhor disse todas essas coisas para seu paciente?
Dr.C: Claro!
Interlocutor: Para uma criança de 5 anos, quer dizer, para um "homenis amadurecidis" - conforme suas mesmas palavras.

Dr.C: Exato! Um homem maduro já.

Interlocutor: A pára com essa brincadeira meu caro, “homenis amadurecidis” até me lembra o Mussum (que deus o tenha), fazendo uma de suas piadas – riu-se, tirando uma onda com o Doutor.


E de saída, o interlocutor atropelou, deixando o Doutor louco de cara.


Interlocutor: Muito bem, encerramos por aqui está entrevista com o Dr.C, que veio nos contar sua bela pesquisa, seus estudos sobe o amadurecimento precoce em crianças de 2 a 7 anos. Obrigado Doutor.


O Doutor por pouco não saiu sem se despedir, devido ao corte do interlocutor, mas após rápida reflexão, preferiu finalizar decentemente.


Dr.C: Eu que agradeço. Abraços pra todos os amigos da rádio Blumenau.


O Doutor se retira do studio de gravação indignado.


Interlocutor: Seguimos com nossa programação, aqui na rádio Blumenau, a sua rádio preferida. E vamos de samba de primeira, Cartola DJ!

DJ: (fala em off para o interlocutor) Certo chefe, vou colocar uma sonzera pois não agüentava mais o papo daquele cara, pra mim esse Dr.C ta louco.

Interlocutor: (em off para o DJ) Toca mais e fala menos meu querido! Cartola neles!


Antes de começar a música, colocaram a vinheta da rádio: “Rádio Blumenau, a melhor, a maior, a mais-melhor de boa”!


Este programa foi apresentado no dia 13/11/72, última aparição do Dr.C em público vivo. Ele foi encontrado na madrugada do dia 14 enforcado numa laranjeira. Até hoje a sua morte é um enigma para a sociedade.

Algumas pessoas acham que foi o DJ que assassinou o Doutor, devido uma richa antiga, por causa de gatinha. Há também quem crê que foi o interlocutor, pela maneira como este conduzia a entrevista, com palavras rudes e zombeteiras direcionadas ao Dr. Alguns conhecidos do Doutor acreditam que tenha sido o Paciente, pois sabiam quanto o Doutor abusava nas suas seções, utilizando pesadas teorias evolucionistas mescladas com filósofos que ninguém jamais ouviu falar. Como por exemplo: “Claudióteles, um primo de Aristóteles e cunhado de Luiz XV”, como ele dizia para tornar real seus desvairos e alucinações. Mas o problema não era só este, pois o Paciente apesar de ter 5 anos de idade, já era budista desde os 3 (influenciado por uma “priminha”), e acabava por criar varias brigar ideológicas entre este e o Dr. Porém, nada foi comprovado para a polícia.

Noves fora as suspeitas, a polícia concluiu o caso afirmando o suicídio, já que quando o Doutor foi encontrado dependurado na laranjeira, saia um líquido da ponta de seus dedos dos pés (que os peritos disseram ser suco de laranja). Somado a isso, foram encontradas seringas hospitalares e centenas de caixas de vitamina C na casa do doutor.

O Doutor morreu taxado como “viciado em laranja” pela população (foi assim que saiu nos jornais), e suas pesquisas, além de não terem chegado a lugar nenhum, ficaram completamente desconhecidas pelo mundo científico e desapareceram no tempo junto com o Doutor.

Bobô, o Aramburu

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Soneto para uma Rosa

Não consigo desviar do teu olhar
Torturando meu peito de menino,
Agora, amiúde, teima por passar
Entregando de súbito nosso hino.
***
Olha tua rosa chorando, mocinha,
Veja como é belo teu mar infindo
Que silencia em teus lábios, caminha
Calado e só, rumo ao nada, partindo.
***
Olha a paixão mendigando carinhos,
Receba minha carta, junto à rosa;
Pois é tão triste... teus versos sozinhos.
***
Sonho em sentir tua pele mui formosa
Quando o céu escurecer, quero vê-la
Despertando em rosas, tua linda estrela.
***
Paulinho Parada