terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Realidade Brasileira

Onde vai?
Vai em busca de terra boa onde a chuva não possa contra sua humilde plantação?
Lá vai peão,
vai montando em seu ombro dois baldes de água que a pouco pegou
do pouco que no rio sobrou!

Onde vai juntando os pratos?
Economizando gotas para lava-los...
Vai atrás do pão de cada dia,
mas não o acha nem se por um acaso
uma boa alma o lhe concedia.

Lá vai ela tentando chorar as lágrimas
que como a chuva secam
e tiram dos reco-recos a vontade de gritar.

Vai mãe brasileira,
de origem cabocleira
com seus filhos sem mamadeira...

Vai pai de família,
três esposas e seis filhas
que ele há de sustentar.

Mas a terra não ajuda
quem cedo madruga
e com sede profunda precisa capinar!

Mais um que vai...
vai pra cidade caixeiro viajante
falar com gente grande
a procura de liberdade.

Vai lá estudante...
pega o barco num instante
um esforço danado
quatro horas parado,
só pra chega do outro lado,
e com risco de morrer afogado!

Vai...
vai mais um sonhador
que sonha com uma família
que na mesa tenha comida
e no coração AMOR"

Mariah Amorim


domingo, 6 de dezembro de 2009

Parabéns Fernando Saldanha

Califórnia da Canção 2009 - RESULTADO

Uruguaiana/RS

Jurados: Sergio Rojas, Dilan Camargo, Victor Hugo, Airton dos Anjos e Juarez Fonseca


CALHANDRA DE OURO:
A SANGA DO PEDRO LIRA

Letra: Demétrio Xavier
Música: Marco Aurélio Vasconcelos
Int: Marco Aurélio Vasconcelos

Melhor música - linha livre:
TROPEIRO DA MEIA-NOITE

Letra: Tulio Urach e Fernando Saldanha
Música: Paulinho Goulart
Int: Cristiano Fantiel

Mais popular:
TROPEIRO DA MEIA-NOITE

Letra: Tulio Urach e Fernando Saldanha
Música: Paulinho Goulart
Int: Cristiano Fantiel

Melhor conjunto vocal:
TROPEIRO DA MEIA-NOITE

Letra: Tulio Urach e Fernando Saldanha
Música: Paulinho Goulart
Int: Cristiano Fantiel

Melhor conjunto instrumental:
DE TEMPO E COMPARSA

Letra: Tiago Summan e Guilherme Summan
Música: Ricardo Martins e Mateus Alves
Int: Ricardo Martins e Fabrício Ocaña

Melhor arranjo:
A SANGA DO PEDRO LIRA

Letra: Demétrio Xavier
Música: Marco Aurélio Vasconcelos
Int: Marco Aurélio Vasconcelos

Melhor instrumentista:
Guilherme Goulart ( gaita )


Melhor melodia:
A SANGA DO PEDRO LIRA

Letra: Demétrio Xavier
Música: Marco Aurélio Vasconcelos
Int: Marco Aurélio Vasconcelos

Melhor letra:
A SANGA DO PEDRO LIRA

Letra: Demétrio Xavier
Música: Marco Aurélio Vasconcelos
Int: Marco Aurélio Vasconcelos

Melhor intérprete:
Pirisca Grecco


Melhor música - linha campeira:
DE TEMPO E COMPARSA

Letra: Tiago Summan e Guilherme Summan
Música: Ricardo Martins e Mateus Alves
Int: Ricardo Martins e Fabrício Ocaña

Melhor música - linha de manifestação rio grandense:
A SANGA DO PEDRO LIRA

Letra: Demétrio Xavier
Música: Marco Aurélio Vasconcelos
Int: Marco Aurélio Vasconcelos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quero-Quero


Quero ser uma calhandra

Nem que para isso
Tenha que compor
Todos os versos do mundo,

E arranjos no céu
Com minhas asas musicais.

Quero ser uma calhandra
E fazer meu ninho
Dentro de um violão.

E tocar devagarinho,
Assobiando ao vento
Milongas do coração.



Morgana e Bruno,

ao som da Califórnia - dale tropeiro da meia noite!!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Que acontece hoje?
Eu não sou a mesma de ontem,
mudou meu corpo
mudou meu caráter,
a própria vida não é igual.

Que acontece hoje?
Já não sofro pelas mesmas coisas.
Hoje a vida é mais difícil;
mudaram meus sonhos,
mas continuo sendo eu.

Será que estou crescendo?
Mas tenho de agüentar...

Será que estou nascendo para uma vida mais real?
Como dói crescer, por quantas mudanças vou passar.
A vida é a mesma, mas que estranha a parte de mim!

Ninguém tem as minhas idéias
e meus planos saem mal.
Como dói crescer, quantas coisas deixarei.


Venúcia Santos

Consolação

Por
menor
que seja
a tua liberdade,
ainda podes
ser um
livrinho




Os Bonitinhos
Gracias a todos que compareceram no Orgiarte 5,
mais de 130 pessoas!!!!
Parabéns aos artistas , participantes e organização.


Dia 10 de dezembro ocorrerá uma festa para encerrar o ano no Espiritpo da Coisa, a divulgação sairá na semana.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Orgiarte 5 - 26/11 - Mr.Dam - 22h - 6,00

MÚSICA
- História de Boêmio toca Sérgio Sampaio
- Guiga e Nandico Saldanha
- Dj Jovi
LITERATURA
- Bomqueiroz
- Livretu 5
ARTES PLÁSTICAS
- Asdrubal Fabris
- Plínio Ajala
FOTOGRAFIA
- Priscilla Kern e Eduardo Silva
- Grupo Satori
- Tiago Rezende
TEATRO
-"Passíveis de desconsideração" com:
-Joice Rossato Lima
-Thais Santa Rita
-Silvana Rodrigues
-Lucca Simas
-Elielto Rocha
-Ivanei Ivanov
-Danuta Zaguetto
MODA
-Luísa Speggiorin

domingo, 22 de novembro de 2009

MEDITAÇÃO 22

CONFÚCIO DISSE: AME

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Que bigodinho hein mano!!!


Mergulho ao fundo da piscina
Para encontrar...comigo mesmo
Ao tocar, lá embaixo, a sua pele
Satisfaço meu desejo
Sinto que a alma não tem fundo
Lembro o gosto do teu beijo

Dentro de toda essa água
Pareço estar em meu caixão
Com uma leve diferença
De ainda poder pensar em vão

E num momento de miragem
Que faz coçar os cotovelo
Esvazio esta barragem
Com um gole de camelo

E, se piscina sem água
não é piscina
Pessoa sem alma
não seria poeta...imagina!
Seria apenas
Fernando


Primeiro acto

Fausto, só.

"Astro silencioso, dôce lua vagabunda de leves raios prateados, digna-te, pela ultima vez, lançar um piedoso olhar sobre minhas dôres!... Tantas vezes tens alumiado as minhas vigilias curvado para esta escrivaninha. Então, eu via a tua luz, melancolica amiga, derramar-se sobre as brancas fôlhas dos livros abertos e os montes informes de papeis empilhados. Porque não posso eu, à tua suave claridade, subir altas montanhas, errar pelas cavernas em companhia dos espíritos, dansar sobre a herva pallida dos prados, esquecer todas as miserias da sciencia e rejuvenecer, banhando-me na frescura do orvalho que dimana de ti!"

Johann Wolfgang von Goethe

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"verum", pero no mucho

Caros amigos,

vi tudo e realmente havia muita vida louca naquele lugar.
Uma absoluta reação de sentimentos e movimentos
que se entrelaçavam avançando em direção contrária
ao que se pode chamar "Amor Selvagem"... e não que isto
pareça a mais pura verdade, mas eu vi.

E cada vez que me aproximava mais desses seres
elouquentes e sanguinários percebia o brilho
intenso em seus olhos estalados - que não eram 2
e sim 7 e meio - grandes, intensos, brilhosos, molhados;
que pareciam dizer para onde aponta o norte
da morte dos maiores dos vulcões... e não que isto
pareça verdade, mas tinha todas as características de ser.

E no meio dessa loucura dos sentidos,
bem no alto de uma colina, trepada em uma
araucária cabeluda, havia uma femmea fatale
totalmente nua e suada... acariciando o caule
da grande árvore com a mão direita, os seios com a
esquerda e quase que pairando no ar,
a vegetariana chorava de puro prazer...
vi, ouvi, senti e ainda por cima é verdade

Bba

domingo, 8 de novembro de 2009

Uma noite em Capão Novo


Sou um coringa
Vou pra lua
Caminho 130 passos
Encontro um churrasco
De Guachini
Que está ruim - sem sal -

Tenho um 6, 4, 5
Me atiro na piscina
Encontro a Marlin Monroe lá no fundo
Pego a pulseira dela
Jogo longe
Termino de afogá-la
Me arrependo

Faço um churras de choriço
Vendo o cadáver
Meto respiração boca-aboca
Ressucito-a
Tiro a peruca dela
Pego pra mim
Gozo

Como Una 1/2 luna Uruguaya
Cato uma estrela
Vomito tudo
Durmo com o Dalai
Leio o horóscopo
Que diz:
Bye Bye Brazil


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ayer


Recorro los caminos
de tú corozón
Voy caminando
en su direción

Por lo siempre,
ayer

Yo ya no sabía
donde tú te vayas
Y cuando te aseste
ya no estabas malas

Por lo siempre
te busque
Por lo siempre
chamame,
ayer

Sí, perder
pero no volver!
Sí, perder
pero jamás volver!

las Malvinas
son nuestras,

Por lo simpre
te amare
Por lo siempre
chamame,
chamame

las Malvinas
son nuestras,
ayer


Lisandro.Mo.Bba

Deseo

Solo tu corazón caliente,
y nada más.

Mi paraíso un campo
sin ruiseñor
ni liras,
con un río discreto
y una fuentecilla.

Sin la espuela del viento
sobre la fronda,
ni la estella que quiere
ser hoja.

Una enorme luz
que fuera
luciérnaga
de otra,
en un campo de
miradas rotas.

Un reposo claro
y allí nuestros besos,
lunares sonoros
del eco,
se abrirían muy lejos.

Y tu corazon caliente,
nada más.

Federico García Lorca

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Textos abstratos sobre objetos concretos

Um pêndulo na sua constante e ininterrupta jornada de ir de um ponto ao outro a contar o tempo pode entender que um caleidoscópio é um objeto de função inútil? Afinal de contas, pra que serve um caleidoscópio, senão para enterter os olhos e fazer girar a imaginação? Um objeto que ignora o tempo, ora essas. Um caleidoscópio é um objeto de arte.
...

Uma pedra, olha ali, uma pedra: imóvel, dura, fria, moldada pela água e pelo vento. Uma pedra é sábia porque sabe esperar o tempo chegar nela. Uma pedra sabe que seu destino é pó. Uma pedra só espera, por isso é uma pedra.

Cris Cubas

domingo, 1 de novembro de 2009

ENCONTRAR-SE


Encontrar-se

É identificar-se através das circunstâncias

É saber aonde não se está,

E continuar andando sem perder as esperanças

Uma incansável procura por diferentes cenários.

Abertura da alma

Misturas de cheiros

Movimentos de danças

Descobertas sonoras

Cores infindáveis

Pensamentos libertos

Palavras nunca antes ditas

Curiosas fantasias.

É um não ter medo do estranho

É experimentar outros gostos

É olhar para rostos tortos,

E perceber que tortos são os nossos próprios olhos

É tocar no desconhecido,

E deixar que ele nos toque

É saber de onde veio,

Mas não ter pressa de saber para aonde vai

É um abaixar-se crescendo,

E a descoberta de novos poderes

Formas de se sentir

É um agir e reagir

É deixar-se permitir

É se perder

Um se perder ganhando

É perder-se por partes

E um se perder por inteiro

É um remontar-se.

Aline Pauli Mallmann

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

No Município do Alegrete os animais classificam-se em:


a) os que são do fazendeiro
b) touros e cavalos

c) os que só comem carne gorda

d) os da família Fagundes

e) os cuscos do bolicheiro

f) os que vão virar churrasco
g) galo véio e galo tito

h) os que sabem todo canto alegretense

i) desempregados

j) exilados em Uruguaiana

k) os que tomam banho de barragem

l) Hereford, Rutherford e Ford Mustang

m) Vaquinha leiteira e Vaquinha mimosa

n) os que veraneiam em Sidreira

o) os que de longe parecem insetos

p) os importados: camarão, lula, lagosta e peixe espada

q) os que mateiam de madrugada no inverno
r) os que sabem ler e escrever

s) congelados

t) os que usam bota e bombacha

u) tubarão, cangurus e outros vídeos

v) os caolhos

x) os que não entram em filas nem fazem empréstimos

z) os humanistas

Bruno Arámburu

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Liberdade de escolha

E foi assim

Que acabamos

Em lados opostos:

Enquanto você era o sim

Eu era o não

Você a água eu o fogo

O zero e um

A luz e a escuridão

Complementares sim

Mas eternamente

Divergentes.


Andréa Cury Marques

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Lá Fora dia 18/10 no Gasômetro!


vamo!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Retrato de Dorian Gray.

... " - Porque considero que influir sobre uma pessoa é transmitir-lhe um pouco de sua própria alma; esta pessoa deixa de pensar por si mesma, deixa de sentir as suas paixões naturais. Suas virtude não são mais suas. Seus pecados, se houver qualquer coisa semelhante a pecados, serão emprestados. Ela tornar-se-á eco de uma música estranha, autora de uma peça que não se compôs para ela. O fim da vida é o desenvolvimento da personalidade. Realizar a sua própria natureza- eis o que todos procuramos fazer. Os homens hoje, amedrontam-se deles mesmos. Esqueceram-se dos maiores de todos os deveres, do dever que cada um deve a si próprio. Naturalmente são caridosos. Nutrem o pobre e vestem os andrajosos, mas deixam as suas almas famintas e andam nus. A coragem nos abandonou; é possível que nunca a possuíssemos! O terror da sociedade, que é a base de toda moral, o terror de Deus, que é o segredo da religião- eis as duas coisas que nos governam."


Oscar Wilde

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O QUE NÃO VIVE…

O que não vive não sabe o que é dor

Nem o que não é!

O sofrimento é tão vivo…

…como a felicidade e a fé.



O que não vive não sabe sobre o que pensar

Na verdade, não pensa!

A imaginação é tão viva…

…que dá vida a cada dia que pretenda.



O que não vive não sabe o que dizer!

O que não vive não sabe o que fazer!

O que não vive…

…não sabe!

Muito menos sabe que não vive!



O que não vive é apenas um o quê

Às vezes, referimo-nos como coisa

Ou um aquilo, lembra?

Cai no esquecimento.



O que não vive…

… é como o nada!

E o nada está aí…

…para nos atirar em direção à morte

uma morte não sentida…

…porque o que não vive também não sente.



O que não vive…

…não vive.

…é um acontecimento sem ação.



Aline Pauli Mallmann

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

até a próxima!

O vento esbofeteia-me e acordo.

O mar puxa-me os cabelos e levanto.

A água bate em meus pés

e agora é preciso andar...

Eu sinto as cores de setembro

as flores querendo me fecundar!


Reúno-me aos fiéis parceiros:

Dona Angústia Abafada, Seu Ritmo Sem Dança, o Chuvisco e o Urubu Da Minha Janela.

Todos atentos ao meu aviso:

Caros amigos,

Tenho paciência, mas não espero...

É primavera...

Eu vou partir!


Ludmila Flores

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desgosto

Ele odiava revistas de banheiro. Aquelas mesmo, que ficavam num cestinho do lado do vaso sanitário.
Aquelas pútridas revistas, pensava, o fitavam com escárnio. Ficavam lá esperando para serem lidas, e tinham absoluta certeza de que o seriam, por isso riam-se dele.

Sabiam, as malditas, que naqueles momentos de solidão não se havia mais absolutamente nada interessante a fazer.

Riam-se a ponto de humilhá-lo: sabiam que ele não resistiria folheá-las, mesmo tendo plena consciência da variedade incontável de coliformes fecais espalhados pelas páginas - desde os descaramentos da politicagem até as seções enfadonhas de variedades para patricinhas.

Era o que se tinha de mais cômodo àquele instante; detestava reconhecer que era informação adquirida puramente via goela abaixo.

E também achava categoricamente repugnante ter de umedecer o dedo na língua pra poder trocar de página. Porém só o percebia depois de já ter engolido.



Mariana Somariva

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Vida: um salto para a morte

Nasci e imediatamente me atirei de um precipício. Um super abismo - incomensurável - um eternamente grande. "Seria eu um naturalmente suicida?" E cá estou caindo, ainda, e mesmo depois de anos indo em direção ao chão, não vejo sinal dele. Sei que ele existe e até tem nome próprio - não o vejo mas sinto-o. Assim como sinto o vento bater na minha cara e empurrar meus cabelos para cima. Toco e atravesso uma nuvem, agora uma outra mais branquinha. Escuto a música instrumental da natureza, bebo água do rio e depois ligo para ela. Ou mesmo penso nela (o que não deixa de ser uma ligação). E faço tudo isso para passar a monotonia da minha viagem ao solo. Ou até mesmo para dar sentido ao grande salto. Conheço seres que pularam depois de mim e já tocaram o chão, desde já percebo que as alturas não são iguais para todos, muito menos os pesos, são apenas vontades de Deus. Enquanto isso, ao menor dos descuidos lembro que estou em pleno vôo... É um piscar de olhos, uma pausa na escrita e já vem o vento, as nuvens: o salto. Sei que ao chegar ao solo virarei solo, e gostaria que de meus ossos se fizessem casas, e cordas de violão dos meus cabelos. Assim sendo, darei sentido a tudo. Terei início/meio/fim. Serei o salto, ela e o vento, casas e cordas. E direi a todos que lá embaixo estiverem: A vida não é um salto para a morte, a vida é um salto para a vida.

bruno

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Desenho de sons

Desenho-a com o lápis preto

Procurando sentir como se dá cada rabisco seu,

A adivinhação do mistério contido em cada risco

Ao contornar seus deslizes.

Uma letra enrola noutra letra,

Muitos símbolos e marcas no papel.

Atravessado pelas palavras,

Ah poesia,

Por sentir com toda a soma dos sons inaudíveis

O trânsito de nossas sementes

Uma lágrima que escorreu forte,

Deslizou por todos, de um rosto

E por teu dedo foi tocada,

Foi tocada.

Sons e quietudes então entram em cena

Atravessando os mesmos espaços

Por horas e horas a fio.

Foi tocada.

Oração que simplesmente acabou por transbordar nossos limites

Ao repetir algumas palavras sagradas

Ah Poesia!

Desenrolando letras estranhas e mágicas

Poesia,

Fui tocada.


Paola Mallmann